Um estudo de 2026 publicado no Journal of Applied Physiology testou 9 ciclistas e triatletas treinados em duas sessões de 160 minutos, consumindo 60g de glicose por hora em ambas. A única diferença foi a ingestão de líquido: numa sessão, alta o suficiente pra manter só 0,2% de perda de peso corporal, na outra, baixa o suficiente pra chegar a 2,8%.
O que aconteceu com o carboidrato ingerido
Desidratado, o corpo oxidou em média 0,51 g/min da glicose ingerida, contra 0,61 g/min quando hidratado, uma queda de aproximadamente 16%. No pico, a oxidação caiu de 0,79 para 0,70 g/min. No fim das contas, apenas 51% da glicose ingerida foi realmente oxidada no estado desidratado, contra 61% no estado hidratado.
A diferença apareceu cedo
A parte mais importante pra prática: a maior queda já apareceu aos 60 minutos, quando a perda de peso corporal ainda era de apenas 1%. Não precisa de desidratação severa pro corpo já aproveitar menos o carboidrato que tu consome durante o esforço.
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Por que isso acontece
O estudo também confirmou maior estresse fisiológico no grupo desidratado, com redução do volume plasmático e aumento da osmolalidade do plasma. Os autores levantam duas hipóteses pra explicar a menor utilização da glicose ingerida: esvaziamento gástrico mais lento e alterações no metabolismo muscular da glicose.
Ponto prático: hidratação e estratégia de carboidrato precisam ser planejadas juntas, não separadas. De nada adianta acertar os gramas de carboidrato por hora se a desidratação reduz o quanto desse carboidrato o teu corpo realmente consegue usar.
Referência: Macrae HZ, Reynolds KM, Sellors C, et al. Exercise-induced dehydration decreases exogenous glucose oxidation during prolonged cycling in a temperate environment. J Appl Physiol. 2026.