Uma revisão publicada na Frontiers in Physiology reuniu a fisiologia por trás do negative split, a estratégia de correr a segunda metade da prova mais rápido que a primeira.
3 formas de correr a mesma prova
Positive split é largar rápido e pagar no final. Pace constante é manter o mesmo ritmo do início ao fim. Negative split é segurar no início e acelerar depois.
A revisão aponta que a maioria das performances que quebraram recorde seguiu pace constante ou negative split leve. Recorde quase nunca vem de quem larga muito acima do próprio ritmo.
O efeito cascata da largada rápida
Quando tu larga acima do teu ritmo, a glícolise acelera. Lactato e íons H+ se acumulam. E o glicogênio acaba antes da hora. É uma sequência que começa nos primeiros quilômetros e cobra a conta lá na frente.
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Ritmo controlado poupa glicogênio
Velocidade menor no início favorece a queima de gordura e guarda o glicogênio pro momento em que ele mais faz falta. Largada rápida queima glicogênio cedo e chega vazia nos últimos quilômetros.
Na prática: é isso que atrasa o clássico bater na parede.
O freio térmico que o corpo aplica sozinho
Largar rápido gera mais calor metabólico logo no início, e a temperatura interna costuma cruzar o limite justamente na parte final da prova. Perto de 40°C o sistema nervoso passa a limitar o esforço. Corredores recreacionais na Maratona de Brighton ultrapassaram 39,5°C nos quilômetros finais.
Drift cardiovascular: o mesmo ritmo custa mais caro
Com o passar dos quilômetros, a frequência cardíaca sobe mesmo sem tu acelerar, enquanto o volume de ejeção cai a cada batimento. Manter a mesma velocidade passa a exigir mais do coração.
A fadiga ainda piora a mecânica de corrida: mais tempo de contato com o solo, passada alterada e mais risco de lesão no fim da prova.
Não é regra pra toda prova
A própria revisão avisa que em algumas condições, como calor forte, percurso com subida ou largada muito cheia, pace constante funciona melhor que forçar um negative split.
O ponto: ler o contexto da prova vale mais do que seguir a regra à risca.
Guardar tempo no início não é covardia. É o que a fisiologia recompensa.
Referência: Grivas GV. The physiology and psychology of negative splits: insights into optimal marathon pacing strategies. Front Physiol. 2025. PMID 40740427.