Depois de 2 horas correndo, tu fica mais lento no mesmo esforço. Não é falta de gás nem preguiça, um estudo recente mostra que o problema real é a queda na potência metabólica.

O que o estudo mediu

Doze corredores treinados fizeram dois testes de 120 minutos em ritmo moderado, um em piso plano e outro alternando piso plano com trechos de descida. Antes e depois de cada teste, os pesquisadores mediram a velocidade no primeiro limiar ventilatório, o ponto onde o esforço deixa de ser moderado e vira pesado, exatamente a fronteira que separa o ritmo que tu sustenta por horas do ritmo que já acumula fadiga rápido.

O limiar caiu nos dois grupos, mas não pelo motivo esperado

A velocidade nesse limiar caiu de forma parecida nos dois testes: -6,2% no piso plano e -7,6% na descida, sem diferença estatística entre eles. A descida causou mais dano muscular real, com queda significativa de força (torque -11% contra -6% no piso plano), mas isso não piorou a queda do limiar, um resultado que surpreendeu os próprios pesquisadores.

O que explicou a queda de velocidade foi a potência metabólica, responsável por 70 a 80% da queda total. A economia de corrida praticamente não mudou. Ou seja, a capacidade do músculo de gerar energia no ritmo exigido caiu, não a técnica de corrida.

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A solução: carboidrato durante o esforço

Um segundo estudo, do mesmo pesquisador principal, foi atrás de uma pergunta seguinte: dá pra evitar essa queda de potência metabólica com estratégia nutricional? Ciclistas e triatletas fizeram 150 minutos de exercício, ingerindo 60g de carboidrato por hora ou uma bebida sem calorias.

Com carboidrato, a queda de potência nesse mesmo limiar foi de apenas 3%, contra 6% sem carboidrato, uma diferença estatisticamente significativa. O mecanismo proposto passa pela manutenção da glicemia: carboidrato poupa glicogênio hepático, evita fadiga central causada por hipoglicemia, e pode atrasar a inativação de fibras musculares tipo I por falta de glicogênio.

Ponto prático: em treinos e provas acima de 90 minutos, distribuir carboidrato ao longo do percurso, não só no início, pode ajudar a preservar teu ritmo sustentável por mais tempo, atrasando aquela sensação de perder o ritmo na segunda metade.

Vale uma ressalva importante: o primeiro estudo foi feito em corrida, o segundo em ciclismo. É a mesma equipe de pesquisa e o mesmo mecanismo fisiológico, uma ponte razoável, mas não uma prova direta pra corrida. Ainda assim, a lógica fisiológica se sustenta e tem implicação prática real pra quem treina ou compete em provas longas.

Referências: Barrett AMS, Maunder E. Prolonged Running Reduces Speed at the Moderate-to-Heavy Intensity Transition Without Additional Reductions Due to Increased Eccentric Load. Eur J Appl Physiol. 2025. Dudley-Rode H, Zinn C, Plews DJ, Charoensap T, Maunder E. Carbohydrate Ingestion During Prolonged Exercise Blunts the Reduction in Power Output at the Moderate-to-Heavy Intensity Transition. Eur J Appl Physiol. 2025;125(5):1349-1359.