Consegui meu recorde pessoal nos 42km. Terminei a New Balance 42K Porto Alegre em 2h33min, 32º lugar na geral e 2º na minha categoria. Meses de treino, ajuste de nutrição e disciplina se resumiram nesse tempo, e foi um dos dias mais difíceis e mais gratificantes que já corri.

Mas essa edição da NB42K vai ficar marcada por muito mais do que o meu resultado. Foi um dia de contrastes: história sendo feita na elite e falhas sérias de organização pra quem estava no pelotão.

Kipchoge estreou em maratona no Brasil

Eliud Kipchoge, o maior maratonista da história, correu sua primeira maratona oficial em solo brasileiro. Terminou em 12º lugar, com 2h18min42s. Não foi o resultado que o público esperava do nome mais vencedor do esporte, mas só a presença dele já elevou o nível do evento a um patamar que o Brasil nunca tinha visto numa maratona nacional.

Novo recorde em solo brasileiro

Quem venceu a prova masculina foi o marroquino Zineddine Ouria, com 2h08min52s, o novo recorde para maratonas disputadas em solo brasileiro. O pódio masculino foi completado por Aziz Ait Ourkia, também do Marrocos, e pelo queniano Thomas Kibet Maru. Na prova feminina, a marroquina Kaoutar Kahhaz venceu com 2h33min01s.

Fábio de Jesus: a melhor marca de um brasileiro

O destaque nacional ficou com Fábio Jesus Correia. Na estreia em maratona, ele terminou em 6º lugar com 2h10min46s, a melhor marca já registrada por um brasileiro numa maratona disputada no Brasil. Um resultado histórico, que mostra o nível que o atletismo de fundo brasileiro pode alcançar quando tem a estrutura certa por trás.

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Os problemas de organização

Pra quem estava no pelotão, a experiência foi bem diferente da história contada pelos resultados da elite. Muita lama na área de largada, falta de sinalização adequada que levou atletas a errarem o percurso, e um caos completo na entrega do guarda-volumes, tudo isso sob frio e chuva intensos.

É uma prova de contrastes: de um lado, resultados históricos que colocam o Brasil no mapa das grandes maratonas mundiais. Do outro, falhas básicas de logística que afetaram diretamente a experiência de quem pagou pra correr.

O que fica pra mim

Saí da largada sabendo que o clima e o percurso não estavam sob meu controle. O que estava sob controle era o trabalho dos últimos meses: carregamento de carboidrato, sono, hidratação, o plano testado em treino. Foi exatamente isso que sustentou o resultado, mesmo com as condições difíceis.

Ponto prático: o dia da prova sempre vai ter variável fora do teu controle, clima, percurso, organização. O que decide o resultado é o que tu constrói antes, isso ninguém tira.